19/10/2009 Por Benahia, geral, 2 Comentários Comente

O Caderno Ela, do jornal O Globo de sábado trouxe uma entrevista maravilhosa com ninguém menos que Regina Guerreiro, jornalista e consultora de moda. Eu confesso que quando era adolescente eu achava ela super bizarra, mas afinal quem não é bizarro? Hoje a vejo com outros olhos, pricipalmente depois dessa entrevista em que ela fala tanta coisa genial e que no fundo a gente concorda e só não sabia como expor isso com palavras certas como Regina faz.

Ela conta que foi demitida da “Vogue” e isso resultou em um dos processos trabalhistas mais comentados no meio da moda e então ela fala dessa época em que ninguém se manifestava, porque defendê-la seria perder o prestígio da “Vogue” e aí então descubriu seus raros amigos.  Tem vários trechos falando sobre suas mágoas com pessoas que traíram sua confirança (o que é fácil, fácil nesse meio).

Também fala de sua decepção  com a moda : “O sexo virou moda, o carro virou moda, a bebida virou moda, a palavra foi se esvaziando, perdeu o seu DNA. A moda também ficou na moda, virou palavra vazia, todo mundo se pendurou nela. Pena que ela se tornou uma overdose de informação. Ou será que de desinformação?”  (pausa pra eu desabafar sobre a pior sensação no mundo pra mim, que é quando alguém que não é muito entendida do assunto vira e fala : nossa essa peça vai usar muito, está muito “na moda”… sinto que minha profissão não vale nada,sério! Não menosprezando essas pessoas,  mas  por que  qualquer ser que lê uma revista de moda ao mês ou ao ano se sente a ditadora e entendida no assunto?? Se eu que estudei durante algum tempo muitas vezes não me acho no direito de falar o que está ou não usando, o que combina ou não combina ( porque como diz Regina na entrevista ” gostoso é a a emoção de experimentar. É melhor errar catastroficamente do que nem tentar”, porque tanta gente entra de gaiato nesse meio e quer se fazer de esperta? )

O conselho dela para a moda brasileira : “É hora de olhar em volta e ver (de verdade) o que a brasileira deseja, do que ela precisa. Não, a Prada não sabe! Criatividade e adequação são as únicas vitaminas que conheço capazes de fortificar o segmento da moda”. Acho que essa parte é a mais complicada e ampla. Porque não atinge somente estilistas, mas fotógrafos, produtores, jornalistas, editores e tudo mais, até mesmo os blogueiros que adoram comentar o que tem lá fora e não saem para conhecer o que tem ao seu redor, se limitando apenas a internet como busca e fazendo disso suas referências.

Mas a melhor parte pra mim é quando ela fala  “ No meu tempo ter era uma consequência de ser. Hoje, ser é uma consequência de aparecer” (nunca pensei em ouvir isso de Regina Guerreiro).

Como conclusão dessa entevista o que percebo é que se mesmo Regina, um dos maiores mitos, está decepecionada com a moda brasileira, pra quem está começando o drama é ainda maior.

Ui, ui, ui!

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2 Comentários em “O mito”











Lucy
19/10/2009

Ei bê, gostei muito, está cada dia mais cult!!!!
Bem….a carapuça coube, adoro dar pitaco na moda….kkkkk, mas tb sei o meu lugar!
Tô com saudades, nem te vi este findi! Bjão



camis
27/10/2009

tenho pavor de como ela escreve nos comentário sobre moda.